História

A história de fundação do Grupo Espírita da Prece passa, necessariamente, pela abnegação e dedicação do Sr. Iracy Teixeira da Silva, que nos relata ter sido durante uma reunião mediúnica, em sua residência, por volta da década de 70, em que um espírito, que se identificou como Afonso Celso, sugeriu, devido ao crescimento da população lavrense, que se ampliasse a possibilidade de divulgação da doutrina espírita.

 

O tempo passou e durante um negócio da venda de uma empresa, o então comerciante Sr. Iracy, recebeu como parte do pagamento uma sala no Shopping Universo. Resolveu ele fundar o Grupo Espírita da Prece, utilizando-se desta sala como espaço físico, no dia 12/10/1982, com uma reunião pública na 4ª feira à noite. O nome foi escolhido por ser o mesmo dado ao centro espírita fundado por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba.

Por volta do ano de 1979, durante a feira do livro espírita, realizada aos domingos, um amigo informou ao Sr. Iracy que havia pedido ao Dr. Genésio, um terreno para construir a sede do Grupo Espírita da Prece.  Após receber a doação de um lote de terreno de 360m², iniciou-se então o trabalho de construção da nova sede, contando com a contribuição de muitos servidores da doutrina espírita. A construção foi realizada com enormes dificuldades, dada a escassez de recursos, mas em 1994 foi inaugurada a nova sede na Rua Álvaro Augusto Leite – 458, que funcionava apenas com reuniões às 4ª feiras.

Durante as atividades do Grupo Espírita da Prece, observou-se a necessidade de uma obra assistencial e tiveram a ideia de construir a Casa do Vovô. Solicitado a doação do terreno junto à prefeitura municipal de Lavras, começaram os trabalhos de construção, recebendo grande ajuda do Lions. Em 1998, foi inaugurada a Casa do Vovô sob o nome: Núcleo Assistencial Espírita Casa do Vovô, tendo como primeiro interno o Sr. João Bernardo.

Em 2012, por exigência legal, foi desmembrado como personalidades jurídicas diferentes, o Grupo Espírita da Prece e a Casa do Vovô, mas ambos mantém profunda ligação espiritual e também no plano material, no que diz respeito à administração e suporte emocional.

Imaginem, caros leitores, a gratidão e o respeito que devemos a todos que contribuíram para a construção de nossa casa espírita, em especial ao Sr. Iracy Teixeira da Silva, trabalhador incansável na divulgação da doutrina espírita e na estruturação do Grupo Espírita da Prece.

Missão

Desejamos humildemente, apesar de nossas enormes limitações, dar nossa contribuição na divulgação do Evangelho de Jesus e da Doutrina Espírita trazida por Allan Kardec.

 

Rogamos a Deus, nosso Pai Criador, que nos capacite para transmitirmos a mensagem do Mestre Jesus com toda sua pureza, grandiosidade e profundidade como foi pregada, por Ele mesmo, às margens do Lago Tiberíades.

“Embora ninguém possa voltar atrás para fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim”

Chico Xavier

“A alma humana é uma vontade livre e soberana, é a unidade consciente que domina todos os atributos, todas as funções, todos os elementos materiais do ser, como a alma divina domina, coordena e liga todas as partes do universo para harmonizá-las.”

Léon Denis – O problema do ser, do destino e da dor

“O aperfeiçoamento do Espírito é o fruto de seu próprio trabalho; ele avança em razão de sua maior ou menor atividade, ou de boa vontade, para adquirir as qualidades que lhe faltam” Allan Kardec – Obras Póstumas

Allan Kardec - Obras Póstumas

Este é o título do capítulo 13 do livro “Obreiros da Vida Eterna”, de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito André Luiz, publicado pela Federação Espírita Brasileira. É o quarto da chamada “Série André Luiz”, na qual o autor espiritual desvenda o mundo pós-morte com casos interessantes, elucidando os princípios contidos na codificação de Allan Kardec.

Teria André Luiz, como a si mesmo propôs, utilizado pseudônimo para os personagens da obra? Onde se passaram os casos relatados? Quem seria o “companheiro libertado”?

Iremos compartilhar com o distinto leitor de “O Espírita Mineiro” a comovente história de vida de um dos personagens da obra citada – Dimas, o” companheiro libertado”.

Dimas de Sousa é seu nome. Nasceu em Lavras/MG, em 2 de abril de 1881. Ainda muito jovem foi para a cidade de Macacos, no Rio de Janeiro, trabalhar com uma família, provavelmente no comércio. Lá estudou até a 4ª série do antigo curso primário. Aos 22 anos, ainda em Macacos, presenciou o crime citado no capítulo 14 da mesma obra, relatado por um dos amigos presentes ao velório de Dimas: “Poucos homens foram de boca segura como este.

Conheci Dimas, faz muitos anos, e estou certo de que foi testemunha ocular de pavoroso crime, que nunca se desvendou para os juízes da Terra”.

Um ano depois do acontecimento, Dimas retorna a Lavras e, aos 23 anos, casa-se com Mariquita (Maria) de Sousa Godinho, tendo ela quinze anos. Tiveram muitos filhos, ao todo 24. Passou a trabalhar na Câmara Municipal de Lavras, encarregado de receber contas de luz nas portas das residências, já que esse serviço, na ocasião, era controlado pela Prefeitura Municipal. Terminando o expediente exercia, ainda, as funções de pintor de paredes, pois era pobre e lutava muito para criar a numerosa família.

Nessa época funcionava a coletoria, que era comandada por um homem apelidado de “Zé Ministério”, não muito credor da confiança do povo. Certa feita ele deu um tremendo desfalque na coletoria e armou um plano para se livrar da responsabilidade do ato. Contratou Dimas para pintar a coletoria e este, em determinado momento, alegou necessidade de providenciar uma escada maior, já que as paredes eram altas. Zé Ministério disse que ele poderia subir na escrivaninha mesmo. Dimas assim o fez, deixando marcas do seu sapato.

Á noite, Dimas vê bater na sua porta soldados de baionetas em riste acusando-o de roubo na coletoria enquanto trabalhava como pintor. Segundo os soldados não havia dúvida de que ele, Dimas, era o culpado. Rasgaram colchões em sua casa procurando o dinheiro, vasculharam todos os cômodos.

Benvinda, mãe de Dimas, apavorada, procura o filho e este lhe diz: “Mãe, a senhora acredita na minha inocência?”.

Ela responde que sim. Dimas diz: “Então, basta!” Levaram Dimas como preso incomunicável. Calmamente ele seguiu com os guardas. Na prisão aflora-lhe a mediunidade e ele, em transe, começa a escrever nas paredes da cela: “Este homem é inocente”. O espírito que se comunicava através da escrita assinava: “sou advogado de causas justas”. Indicou o número das folhas, livro e onde se encontrariam sinais do desfalque do coletor Zé Ministério.

Dimas ficou dois dias preso, até que pessoas de sua amizade, ainda que o imaginassem “louco” por causa dos fenômenos ocorridos, resolveram averiguar as informações e tudo foi desvendado. Dimas foi solto e ficou provada a culpa de Zé Ministério.

Tudo conforme o espírito comunicante escrevera nas paredes da cela. O coletor foi preso e adoeceu na cadeia. Anos mais tarde ele mandou chamar Dimas para pedir-lhe perdão. Dimas procura-o na prisão, perdoa-lhe o ato pedindo às autoridades que o libertassem, pois estava muito doente. Dimas levou- o para uma pensão a fim de cuidar melhor dele.

Ali, na pensão, ele desencarnou, pouquíssimo tempo após sair da prisão. Dimas preparou seu enterro acompanhando o corpo até a sepultura.

Pouco tempo depois de deixar a prisão, Dimas se desencantou da profissão de pintor. Ajeitou na própria casa um salão de barbeiro, muito simples, do qual sobreviveu pelo resto da existência física. Os fenômenos mediúnicos se avolumaram. Começou a estudá-los e converteu-se, assim, ao Espiritismo, passando a freqüentar o Centro Espírita de Lavras1, hoje Centro Espírita Augusto Silva.

Em sua casa mantinha um cômodo para aplicar passes e receber mediunicamente receitas, o que fez até o final da vida, socorrendo doentes e curando os males de todos que necessitavam.

Suas faculdades mediúnicas cada vez mais se intensificavam: psicofonia, psicografia, vidência, efeitos físicos, xenoglossia e cura. Os que o conheceram diziam que William Crookes se manifestava por ele num excelente inglês.

Há um caso pitoresco envolvendo Dimas de Sousa, o “companheiro libertado”.

Certa vez um professor da antiga Escola Agrícola de Lavras (hoje Universidade Federal de Lavras), que não acreditava em faculdades mediúnicas, foi convidado para participar de uma reunião na casa de Dimas, adiantando que desafiaria a autenticidade dos fenômenos.

Compareceu com um poema que compusera, sem lhe dar fim. Durante a sessão, com o poema no bolso, pediu que Dimas revelasse o que continha o papel escondido.

Em transe mediúnico ele escreve o poema como se encontrava no papel, completando-o só um pouco e deixando para o professor a última palavra a ser

escrita. Assombrado, o visitante disse: “Nunca mais duvido do Espiritismo!”. Dimas não tinha hora para atender aos que o procuravam. As curas realizadas por ele foram consideradas espetaculares. Em “Obreiros da Vida Eterna” podemos perceber sua vida intensa a ponto de descuidar de si mesmo.

Vemos na obra a situação de Dimas relatada pelo assistente espiritual (cap 13): “Dimas não conseguiu preencher toda a cota de tempo que lhe era lícito utilizar, em virtude do ambiente de sacrifício que lhe dominou os dias, na existência a termo. Acostumado, desde a infância, à luta sem mimos, desenvolveu o corpo, entre deveres e abnegações incessantes.” Relendo o capítulo podemos prosseguir com o instrutor espiritual a descrever o calvário de lutas do grande servo Dimas.

A sua vida foi dedicada aos outros. Foi muito pobre e humilde. Não foi perseguido por ser espírita porque era muito respeitado em Lavras e na redondeza. Os médicos implicavam um pouco com suas receitas, mas ao mesmo tempo ficavam assombrados com a perfeição das dosagens e as curas realizadas.

O querido e abnegado Dimas desencarnou com 64 anos de idade, às 21h de 18 de junho de 1945, assistido por André Luiz e Jerônimo, como bem grafou Chico Xavier na obra citada. Em seu atestado de óbito foi registrada a causa mortis – insuficiência cardio-renal.

Estava o companheiro já desencarnado quando Chico Xavier veio a Lavras e participou de uma reunião mediúnica na casa do Sr. Acir Melgaço, com a presença de um dos filhos de Dimas.

O Sr. Acir foi um grande companheiro no movimento espírita de Lavras e conviveu com Dimas. Tive a alegria de conhecê-lo, conviver um pouco com essa alma ilustrada e fina e também de ouvir de seus lábios: “Dimas morreu em meus braços”. Nessa reunião Dimas se fez presente e Chico o descreveu com minúcias.

Prezado leitor, sei que você deve estar se perguntando: “Mas como se pode saber dessa história?” Eu explico. Em 1996, relendo a obra “Obreiros de Vida Eterna” e comentando com os mais antigos do Centro Espírita Augusto Silva, soube que Dimas vivera em Lavras e que uma de suas filhas – D. Amália de Sousa Silva – estava encarnada e residindo na cidade. Tive vontade de procurá-la e saber mais sobre essa alma nobre e boa. Fui finamente recebida por essa senhora de 85 anos, lúcida e alegre, no dia 23 de outubro de 1996, em sua residência na Rua Firmino Sales, em Lavras. Ela me permitiu uma longa entrevista, registrada com extrema fidelidade, e que ora repasso aos leitores de “O Espírita Mineiro”, com o seu consentimento, pois na ocasião deixou-me livre para divulgar de todas as formas a vida de seu querido pai.

Temos, então, os espíritas mineiros, no ano do sesquicentenário da Doutrina Espírita, a honra de relembrar a vida daqueles que se tornaram servos do Senhor, para que, através de seus feitos, o Cristo se manifestasse em força e luz. Que o “companheiro libertado” seja abençoado sempre, para a glória de Deus e a vitória da Luz na Terra.

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